segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Para concorrentes do programa F-X2, negócio ajuda a manter alternativas aos EUA



Os concorrentes franceses e suecos do F-X2 apontam a necessidade de manter um polo de tecnologia militar alternativo aos EUA como pontos fortes de suas ofertas.

"Para nós é importantíssimo esse negócio, já que enfrentamos a vontade americana de destruir a indústria de aviação militar europeia", afirmou Jean-Marc Merialdo, diretor da francesa Dassault no Brasil.

O seu Rafale enfrenta problemas de escala industrial, que perdeu todas as disputas das quais participou. "A falta de êxito decorre de razões políticas. Depois do 11 de Setembro, como se sabe, a França foi crítica à política americana. Isso teve um custo", afirmou.

Sem escala, o produto e sua manutenção ficam caras. O Rafale unitariamente custa algo perto de 60 milhões de euros, o que já é alto. Mas avião não é eletrodoméstico, não se paga o preço de face, e sim a logística envolvida. A Austrália, por exemplo, pagou US$ 200 milhões pela unidade de seus F-18 --quatro vezes mais que o preço "de prateleira".

O ponto de venda da sueca Saab para seu caça Gripen NG, por sua vez, é quase terceiro-mundista. Diz oferecer o produto mais barato e não-alinhado, no caso com um dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (especificamente, EUA e França).

"A Suécia é a única a oferecer uma opção independente", disse à Folha Bob Kemp, vice-presidente para marketing da Gripen International, subsidiária da Saab e da britânica BAE Systems que vende o caça.

Mas um terço do caça é americano. Kemp defende-se. "Não é tecnologia sensível, essa é dominada pela Suécia."

E quanto custa? "Nós estimamos algo entre 50% do preço de nossos competidores", diz Kemp, citando como referência uma proposta aberta feita à Dinamarca: cerca de US$ 70 milhões por cada um dos 48 aviões solicitados, com toda a logística e o treinamento.

Kemp minimiza o fato de que o Gripen NG não existe na prática. E defende que sua maior desvantagem --ser monomotor-- resultará em preço mais baixo de operação: a hora-vôo num Gripen, diz, é de US$ 3.000, contra US$ 14 mil de seus dois concorrentes.

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